Fotocontos.

Há tempos que sinto que este deserto está precisando de vento. Há ventos que preciso para esse deserto sentir o tempo. Em parceria com o amigo e parceiro Ricardo Borges (ator e fotógrafo) eu tenho a honra de inaugurar esse livre espaço de experimentação que ele chama de “Fotocontos”. A proposta é basicamente o casamento das fotos dele com textos meus. Basicamente. Isso não quer dizer que textos e fotos de outros colaboradores não possam ser aproveitadas. Basta sorrir e o vento mudará a direção. É isso. Ou o que vocês quiserem.

FOTOCONTO#2

Uma viagem que era para ser apenas uma viagem… Teve sua normalidade interrompida pela chegada de um homem. O coletivo estava parado num posto de gasolina para um procedimento de praxe e tudo transcorria bem até o momento em que o homem resolveu subir em um dos ônibus no qual não era passageiro. A sombra só permitia aos passageiros ver metade do seu rosto. Sacou algo do bolso, colocou sobre o rosto e começou a falar com todos. Alguns passageiros pareciam assustados. Outros pareciam aceitar com comiseração aquele insólito momento. Eram testemunhas do acaso. A tensão tomou conta do ambiente por alguns instantes.

Aos poucos a verdade foi se revelando… Ao dar um passo a frente foi reconhecido pela grandeza vermelha do nariz que ostentava. Era um palhaço. Um palhaço daqueles verdadeiros. Pediu a presença de um voluntário para realizar o seu número, pedido que foi prontamente atendido por um rapaz de branco que estava sentado numa poltrona do corredor. Uma viagem que era para ser apenas uma viagem… Mas teve sua normalidade interrompida pela chegada de um nariz vermelho.

FOTOCONTO#1

Naquela tarde, até a chuva resolveu dar uma trégua e aderir ao protesto desencadeado naturalmente na porta de uma igreja no centro histórico. O baiano reclamava da falta de amor… O desespero fez os mais céticos pedirem a Deus mais uma dose de humanidade. Naquela tarde os joelhos das mulheres e dos homens nunca foram tão amigos do chão das ruas de Salvador… Sobrava gente, faltava amor. Faltava chão, sobrava dor.

2 Responses “Fotocontos.” →

  1. Bezerra

    julho 22, 2010

    Yeah! Vamos fotocontar!!!

    Resposta
1 Trackback For This Post
  1. VAMOS FOTOCONTAR! «

    […] Uma foto, um conto. Idéia magnífica que eu copio do Gabriel Camões (aqui), que além de é ator, poeta, jornalista é meu parceiro no Coletivo Muito Barulho por Nada […]

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