Alguém con-testa

Posted on maio 18, 2010

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Eis que… Graças a Nelson, estou de volta. E cheio de graça. Digo repleto. Não de saco cheio. Esse eu deixo para o Papai Noel no natal e para o simpático Nelson que deu o ar da graça, passou por aqui e deixou um belo recado para mim. Se não fosse por ele, talvez não voltasse mais aqui…

Mas aqui estou para agradecer ao parceiro Nelson Coutinho, que começou o seu gracejo com uma elegância de dar inveja a qualquer Lord Inglês, se referindo a mim como “meu nada prezado amigo”. Ele percorreu os versos do “atestado poético” tentando encontrar sentido entre os curtos e insignificantes versos que escrevi. O atestado do amigo querido encontra-se nos comentários do último post para quem tiver curiosidade. Entre os vários “conselhos” dados pelo senhor em questão, há um momento em que ele diz assim:

“…Há que ter um motivo para determinada assonância ou aliteração, assim como para determinada rima e ecos… No seu poema não há justificativa alguma para clichês do tipo “poeta/meta”, “testa/con-testa” etc… E que dizer desse indefectível “con-testa”? Isso é de amargar, meu velho!!! por que o hífen? É possível dar uma explicação plausível?”

Se há uma explicação plausível? Não, não há absolutamente. Graças a Deus não há. No dia em que a poesia, o teatro, a música tiver que dar uma explicação plausível somente para satisfazer o desejo de compreensão de uma pessoa… Eu paro de escrever, atuar, compor, cantar, viver… Não tenho e não quero encontrar “motivo” para “assonância ou aliteração” e muito menos “justificativa” para “clichês”. A explicação, o entendimento e o sentido é você quem tem que dar, Nelson! É Maria. É João. São todos os que leram esse poema, ouviram esse poema, dançaram esse poema.

O Nelson “Poeta”, fora da “meta”, o tiro “acerta” na minha “testa”… E faz a “festa” no meu blog ao dizer que o meu “atestado” não vale nada. E eu sou obrigado a concordar com o camarada. E relato que pra mim é um alívio ouví-lo dizer isso. Pois pra mim nada valem e nada significam. Pois assim como o mestre Manoel de Barros, meu professor de “agramática”, eu digo nas palavras dele que “meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.”

É isso mesmo, meu caro Nelson… Enquanto eu carregar a certeza que você me deu que o meu poema não quer dizer nada, saberei que com ele consigo dizer tudo. E enquanto o nada estiver presente, o tudo no futuro estará e o seu gracejo será passado pra trás… E mais. Nunca lhe pedi para “salvar” o meu poema. E se um dia eu achar que ele deva ser salvo certamente não recorrerei a ti. E se, como você mesmo diz, “as rimas, toantes ou consoantes, criam um bocejante efeito monocórdio…” aqui fica o meu conselho: Ouça o “atestado poético” na hora de ir pra cama. Se não serve como poema, lhe ajudará a pegar no sono. É para isso que serve o poema. Pra dormir. Pra acordar. Pra tudo. Pra nada.

E já que você citou o Paulo Leminski como “o poeta do poema-piada oswaldiano”, eu tenho algumas palavras dele pra ti… Para que entenda que para além da piada há um algo mais nos versos dele, nos meus e nos de outros tantos. Talvez você não esteja vendo ou sentindo por estar mais preocupado com a “rima”, com os “ecos” ou se o termo é ou não “defectível”…

“Temos que defender o lado gratuito das coisas, porque estamos vivendo dentro de um mundo onde tudo tem que dar lucro.” (P. Leminski)

Ao invés de pensar no lucro que você ou a “sociedade” terão ao serem provocados pelo meu “atestado poético”, faz um exercício diferente hoje. Só hoje. Esquece os dodecassílabos, os sonetos, o tratado da metrificação, o rigor e o formalismo… Só hoje. E pensa apenas na “gratuidade da coisa”.

E por falar em gratuidade, deixa aqui para mim e para quem mais se interessar… O endereço do seu blog ou de qualquer outro lugar em que você costuma desembaraçar os nós que a vida dá nos seus pensamentos. É grátis. Sem necessidade de explicar o porquê do nome, o porquê você escreve “assim” ou “assado” ou o porquê de qualquer outra coisa… E obrigado por me devolver o desejo de escrever aqui.

Um abraço de “poeta fora da meta” pra ti. E um presente logo abaixo…

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