Eu fico pensando na pureza da resposta das crianças… E eis que me lembro da falta de iniciativa da juventude. E me pergunto: O que pensam os jovens de hoje? Pelo que eles lutam? No que eles acreditam? Olho para todos os lados à espera de que alguma bandeira seja erguida, mas nada vejo. É triste pensar que sou parte de uma geração sem bandeiras. Uma geração sem ideais e de poucas idéias. Uma geração de ídolos herdados de gerações anteriores.
Claro que quando falo de uma juventude apática e alienada eu estou me referindo a uma maioria. Uma grande maioria, é bem verdade… Mas fazendo uma reflexão da minha passagem pelo conturbado período da adolescência, percebo que me alimentei de referências de outros tempos. Tanto na música como no cinema, na literatura, na arte e na cultura como um todo… Fico tentando enxergar a causa frente as consequências de uma juventude que pouco produz. Nunca achei justo colocar a responsabilidade nos jovens.
Ontem à tarde, participando do VI Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, presenciei uma bela conversa na sala principal do TCA, com o Gustavo Dahl, o Tariq Ali e o Miguel Littin, sobre Cinema, Cultura e Política. E num determinado momento a conversa rumou para esse assunto: “o jovem e sua relação com a cultura e com arte, sua atuação e seu papel na produção de novos saberes e na transformação do mundo…” Algo nesse caminho.
E o Miguel, cineasta chileno que eu não conhecia e que passei a respeitar profundamente, disse algo como “Não há espaço, ou há pouco espaço, para os jovens expressarem suas idéias e deixar fluir sua criatividade através dos meios, porque estes são dominados por proprietários interessados somente em manipular e difundir um modelo cultural que serve estritamente aos seus interesses comerciais e políticos”.
Eu pensei… “Caralho… Estamos presos a um sistema, uma estrutura dos meios de comunicação que serve aos interesses políticos e econômicos de poucos e que não tem interesse de estimular o surgimento de novas idéias, visões e perspectivas porque entendem isso como uma ameaça!”. Precisamos fazer alguma coisa. Não sei exatamente o quê. Mas é preciso fazer algo para desarticular e desestabilizar essa ordem. Tenho amigos que pensam assim e que estão imbuídos em consolidar uma transformação. Acreditar na arte como ferramenta para uma transformação social é um caminho com bons horizontes. Caminhemos.
Li
novembro 24, 2010
Já está fazendo, Gabriel. A internet é o melhor meio que podemos utilizar para desestabilizar esse sistema, mas, infelizmente, nós ainda não sabemos lidar tão bem com essa ferramenta, não aproveitamos as melhores oportunidades que ela nos oferece. Nos contentamos com jogos, redes sociais, pesquisas acadêmicas, etc. Mas não conseguimos enxergar seu poder midiático.
É fato que os escritores da internet já se tornaram formadores de opinião e devemos usar essa influência sobre a sociedade, sobretudo os jovens, para favorecer a democratização da informação, trazendo à internet informações verídicas, e não meros “achismos”.
Existe um movimento social contra a alienação na internet que luta contra a manipulação da informação pela grande mídia, o MCA (http://movca.blogspot.com/).
*Confesso que não lido tão bem com a internet quanto gostaria, mas busco fazer a minha parte não criando “falsas verdades”.