
Em 2 semanas pode-se viver mais do que 2 anos?
Sim. Essa seria minha resposta. Não sei se no quiz do McCandless, não sei se entre um gole de cerveja e outro sentado ao seu lado ali na Dinha. Ou no porto. Ou numa baiana de acarajé qualquer…
Sou a prova viva disso. Você também.
A vida me provou isso
E provei isso da vida
Depois de tantos dias me encontrando
e tentando encontrar a paz naquele paraíso distante
me olhei no espelho e vi um outro
Barba crescida começando a mostrar sinais de rebeldia
Rebeldia pulsante como a do sol impiedoso que descascou
A pele dos meus braços
Embora me sentisse aparentemente mais magro
Questão que foi alvo dos comentários da família
Estava visivelmente mais saudável, mais iluminado, mais vivo
Tanto por fora, revelado pelos calos e bolhas acumulados
Nos pés um tanto inchados e encardidos da terra fértil
De um lugar ainda mais fértil em vidas e pensamentos
Quanto por dentro, rejuvenescido e renovado pelo contato
primitivo com a natureza, por viver o dia de forma inteira
E ser tratado como igual por famílias que vivem por opção num isolamento mais que saudável necessário a preservação de uma atmosfera saudável, de um ambiente saudável. Em poucos dias e em tantas conversas me ensinaram mais do que a faculdade que fiz… Que pretensiosamente quis e achou que pudesse me ensinar algo tão significativo e essencial como o Paty me ensinou…
Trocaria meus 4 anos de faculdade por outros 7 dias no Vale do Paty na companhia de Gabe e Clarinha, tendo a presença de pessoas
ricas em espírito e qualidade de vida e enriquecedoras nas suas falas e formas de ser e ver o mundo…
Jaílson, Jaílton, Altemar, Jácio, Seu joão, Seu Zé Preto, Seu Wilson, Dona Maria, Nara, Wilton, Valquíria, Carlitos foram meus professores ao me ensinarem como é bom viver… Ao me ajudarem enxergar que viver é bem diferente de sobreviver. E sobre “viver” eles mostraram da forma mais simples e correta…
Que embora não saibam que sabem
Eles sabem muito mais do que muitos
Que aqui acham ou fingem que sabem
Mas não sabem que muito lhes falta para entender
Que viver é diferente de sobreviver
Que o preço do feijão não cabe no poema
Que de fato, nada lhes acontece, exceto
talvez o estranho que lhes pisa o pé no elevador
e se desculpa.
Que falam dos desastres,
dos crimes, dos adultérios,
mas isso não se torna nada mais que as tais “leituras de jornal”.
Não fui para chapada apenas para fugir do carnaval
Ainda que tenha fugido
Fui para ver e sentir a vida como ela é
E como ela deve ser
E voltei mais homem, mais humano, mais feliz pelo que vivi
E mais triste pelo que agora penso que viverei
Mas a escolha – eu disse ao Pardal – é de cada um:
Viver ou sobreviver?
Nas curvas dos rios e montanhas do Vale do Paty
Encontrei a resposta
Espero não esquecê-la
Não esqueça também camarada…
Abraço forte.
O papo continua num acarajé que marcaremos durante a semana que segue.