Violentamente pacífico.

19 11 2008

O vídeo “Violentamente Pacífico” participou do XII Festival Nacional a Imagem em 5 Minutos, edição 2008, e é de autoria de Gabriel Teixeira. A filmagem foi realizada no Bairro da Paz (Periferia de Salvador) e registra o depoimento de Ras Mc Léo Carlos, morador desse bairro, que embora possua esse nome é considerada uma das zonas mais violentas da capital baiana. O personagem real em questão nos faz um relato crú e sincero de uma realidade extremamente cruel e desigual.

O depoimento do cara mexeu bastante comigo e me fez refletir sobre uma série de coisas. Estou digerindo ainda. Sei lá… Me deixou feliz e triste ao mesmo tempo, me fez lamentar e ter esperança, me deu coragem mas também me fez sentir medo, me despertou culpa e me fez culpar os outros, o mundo… Mas não foi conflituoso ao me dar a certeza de que, assim como ele, tentarei de alguma maneira tornar as coisas diferentes. Diferente pra melhor. Porque do jeito que está realmente não dá. E farei isso à sua maneira… De um modo violentamente pacífico.





Savana grande.

18 11 2008

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Pois é companheiros… Nessa reta final de campanha eleitoral, finalmente o Comandante Gabo encontrou tempo pra fazer o relato de mais uma das suas aventuras em solo venezuelano. Essa foto que publico aqui, junto com este breve texto, é um registro da última viagem que fiz aqui na Venezuela e que teve a região da “Gran Sabana” como destino. Esta foto especificamente mostra o “Salto Kama Merú”, uma das milhares de cachoeiras que podem ser vistas ao longo da “Grande Savana”, como é conhecida a região que está situada dentro do Parque Nacional Canaima, ao Sul da Venezuela, aqui mesmo no Estado Bolívar. O Canaima é considerado o maior dentre os mais de 40 parques naturais da Venezuela e é um dos maiores atrativos turísticos do país.

O Canaima é um parque ecológico com uma área gigantesca e que por esse motivo é divido dois setores: O lado leste, setor Oriental e lugar que eu visitei é onde se encontra a região da “Gran Sabana”. No lado mais a Oeste, considerado o setor ocidental, se encontra o “Salto Angel”, a maior queda d’água do mundo com 982 metros de altura. Infelizmente não pude ir a esta cachoeira, pois o acesso é complicado e só se chega com helicóptero, vôos fretados ou em expedições que duram dias de caminhada. O trabalho infelizmente não me permitiu, dessa vez, a embarcar nesta aventura. Mas pretendo voltar numa breve oportunidade.

Por outro lado tive a grande oportunidade de percorrer a savana venezuelana, que é também um lugar mágico, conhecida pelos seus imponentes “Tepuis” e cachoeiras. A palavra “Tepui” em português ou “Tepuy” em espanhol, é como os indígenas da região – os Pemóns – se referem às formações montanhosas de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam na região. A palavra, numa tradução literal, significa simplesmente: “montanha”. No entanto não se trata de um tipo de montanha qualquer. São formações que resultam de milhões de anos de erosão e, no topo das quais, devido ao seu isolamento umas em relação às outras, se desenvolveram ecossistemas únicos, com fauna e flora bem particulares. Li que muitas das espécies que ali se desenvolveram não se encontram em nenhum outro lugar do planeta.

Fiquei louco pra explorar o lugar e ver isso mais de perto. Anseio um dia, quem sabe, escalar o “Tepuy Roraima”, o mais famoso entre eles, que está situado na fronteira entre Guiana, Brasil e Venezuela e que tem quase 3 mil metros de altura. Infelizmente o compromisso com o trabalho uma vez mais não me permitiu mais esta aventura, pois não é uma coisa pra se fazer também em uma tarde ou duas… E sim em várias. Mas o visual de toda a “Gran Sabana” é realmente embasbacante, as cachoeiras e as montanhas que vimos são muito lindas. Há momentos que lembram a nossa chapada diamantina e outros em que lembram as savanas africanas, só que sem as girafas, os elefantes e os leões que caracterizam as terras da África… Tão presentes nos documentários que não canso de ver na “National Geographic”.





Comandante Gabo.

13 11 2008

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Percorrendo a trilha da revolução nos confins da fronteira entre Brasil e Venezuela… O comandante Gabo embarcou em mais uma de suas aventuras. O destino lhe sorriu uma vez mais e reservou ao camarada a oportunidade de conhecer as encantadoras paisagens da “Gran Sabana”. Ao passo em que percorria cenários de riqueza e beleza cinematográficas da savana venezuelana, o comandante Gabo percorria também os seus pensamentos em busca de qualquer inspiração, tratando de caçar boas idéias e tentando combater a mediocridade e a pobreza de espírito entranhadas na armadilha da repetição de sua rotina inimiga.

Respirando ar puro, o guerrilheiro do teatro e da comunicação buscou desbravar os territórios inóspitos da sua consciência e resistiu bravamente as fracas idéias que surgiram logo de imediato durante sua viagem, ou melhor, durante suas viagens. Um pouco impaciente por este inconveniente inicial, este guerrilheiro pensou então em pegar em armas. Pegar em armas sem a necessidade de recorrer a qualquer prática violenta. E nesse tempo em que acompanha a revolução que está fora dele e ao seu redor, mas sem deixar de alimentar a sua revolução interior, tem recorrido aos seus artigos de guerra preferidos: Livros, pensamentos, música, poesia e conversas com amigos.

Lançando mão dessa artilharia que lhe apraz, o comandante Gabo que agora vos fala continua sonhando em um dia contagiar aos seus semelhantes com algumas das suas idéias e pensamentos, pra quem sabe um dia transformar idéias escritas e pensadas em palavras ditas e escutadas. Seguirá batalhando para conquistar seu espaço nos palcos que um dia ainda pretende pisar, sejam esses palcos os da vida ou os do teatro. O Comandante Gabo estará sempre vestido e armado de palavra, amor, música e poesia… Pra quem sabe um dia falar e fazer a sua revolução acompanhado do seu incrível exército de personagens. É assim que pretendo continuar caminhando meus amigos. Eu, o comandante Gabo.





Trilha revolucionária.

12 11 2008

Este texto é uma resposta a pergunta que fez o meu amigo Pardal, que curiosamente me pediu que revelasse o que vem compondo a trilha sonora desta minha jornada revolucionária aqui na Venezuela. Bem meu caro, na verdade tenho me reservado ao prazer de escutar coisas do nosso Brasil mesmo, na tentativa de respeitar esse meu sentimento de saudade e sendo honesto comigo mesmo. Mas você sabe que as suas sugestões serão eternamente bem-vindas. Pois então… A bola da vez na minha radiola é o disco “Acabou chorare” dos “Novos baianos”.

E pra não ficar só na resposta, já que nossos diálogos são sempre produtivos e me oferecem novas descobertas, de lhe brinde mando um vídeo do gênio excêntrico de Juazeiro. João Gilberto é por assim dizer, na minha humilde opinião, o medalhão que mais brilha na minha estante imaginária que ostenta os grandes nomes da incomparável música brazuca. Trata-se de uma interpretação de “Brasil pandeiro”, datada de 1983, quando este jovem rapaz que vos escreve ainda nem sonhava em nascer. Não sei se a versão é simplesmente genial ou genialmente simples. Você é quem escolhe. Aquelabraço.





Machado por Melamed.

5 11 2008

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Saiu a notícia no jornal Estado de São Paulo, não pude deixar de pensar no meu amigo Pardal, tanto pela obra que será encenada, pelo escritor em questão e por quem interpretará o “Bentinho” na série. Já estarei no Brasil pra acompanhar. E espero que o “Padrão Globo de Teledramaturgia” não me cause frustrações. Mas confio e aposto na força da atuação do Michel Melamed e na intensidade da obra do Machado de Assis. Segue o texto:

O ator Michel Melamed, que também é apresentador, escritor, dramaturgo e músico, foi o escolhido para ser Bentinho na próxima minissérie da TV Globo, Capitu, que estréia em dezembro. A minissérie, em homenagem ao centenário de morte de Machado de Assis, terá cinco capítulos. É a segunda série do projeto Quadrante, que leva a literatura brasileira para a TV e que começou com A Pedra do Reino, no ano passado, baseada na obra de Ariano Suassuna.

Para viver o personagem de “Dom Casmurro”, Melamed precisou perder 21 quilos em três meses. O diretor Luiz Fernando Carvalho queria que o personagem-título e narrador do romance de Machado tivesse aspecto precário e mais envelhecido do que o ator, que tem 35 anos. Passados dois meses do fim das gravações, no Rio, Melamed já recuperou quase todo o peso.

A trama é dividida em duas fases, sendo a primeira até a ida de Bentinho para a faculdade de Direito e a segunda marcada pelo ciúme e a dúvida sobre a suposta traição de Capitu. A maior parte das cenas foi ambientada no prédio do Automóvel Clube, no centro do Rio, na mesma região da antiga Rua de Matacavalos, onde, no romance, morava Bentinho.

A Capitu que aflige Bentinho será interpretada pela atriz Maria Fernanda Cândido, na segunda fase, e pela estreante Leticia Persiles, na primeira. Outros estreantes do elenco são Pierre Baitelli, o Escobar, e César Cardadeiro, o Bentinho jovem. Antes de se iniciarem as gravações, foram três meses de preparação dos atores, o que incluiu palestras sobre o universo de Machado e conversas com um psicanalista e um historiador.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.





E se…

4 11 2008

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Achei uma sacada genial essa campanha “Let the issues be the issue”, lançada pela agência “Grey”. Será que se o Obama fosse branco e o McCain fosse negro, conservando as mesmas origens, partidos, trajetórias e características individuais de cada candidato, a história seria diferente? Será que o povo americano teria uma outra postura? Será que a imprensa americana teria um outro comportamento? Faria muita diferença? Ou mudaria pouca coisa?

Acho uma questão bem interessante a ser colocada. Uma saudável provocação ao médio pensar daquela terra que eu chamo de “média”, lançada bem na véspera do dia em que os americanos decidirão o destino do seu país nesses próximos 4 anos. Quem ganhará? Tudo indica que estamos vivendo um contexto favorável a uma grande mudança naquele lugar tão avesso a mudanças radicais. Parece que o homem que representa o “novo” em vários sentidos… Na cor da pele, no nome, nas origens, na trajetória… E que possui um “perfil” que foge completamente ao que poderíamos chamar do perfil do “americano médio”, está “com o “pé na Casa Branca”.

O destino realmente prega peças. Engraçado pensar no nome da famosa e tradicional morada de todos os presidentes norte-americanos, quando possivelmente será por 4 anos a residência de um homem negro, de origem muçulmana, com um pai nascido no Quênia, país Africano. Seria genial ver serem quebrados importantes paradigmas de um povo com idéias e valores tão retrógrados.

Mas como os americanos são seres estranhos e possuem um sistema de votação ainda mais estranho que eles, alguma zebra pode acontecer. Vamos pagar pra ver se a zebra será preta com listras brancas ou branca com listras pretas… Aposto minhas fichas no Obama e confesso que pela primeira vez estou torcendo por um candidato a presidência dos Estados Unidos.

Diria a vocês que se eu tivesse pagando penitência por algum crime cometido em vidas passadas e tivesse o azar de ter nascido norte-americano, e se o Obama fosse branco e o McCain fosse negro, eu votaria mesmo era no Michael Jackson… Que mesmo com a mudança de cor, sexo e espécie, e com todas as críticas que vem sofrendo nos últimos anos, não perde o rebolado. Mas voltando ao assunto eleitoral… Hoje, se Deus quiser e com o perdão do trocadilho, dará “preto no branco”.





Meu nome não é Pedro.

3 11 2008

Nem o meu, nem o desse garoto na foto acima. O nome desse menino é – ou era até pouco tempo atrás – “George Garratt”. Só que num exagerado acesso de fanatismo o jovem britânico resolveu fazer uma homenagem aos super-heróis e de quebra disse que requisitará entrar pro “Guiness Book”, o famoso livro dos recordes. O novo nome do jovem mancebo em português seria: “Capitão Fantástico Mais Rápido que o Super-Homem Homem-Aranha Batman Wolverine Hulk e Flash Juntos”.

Segundo a publicação britânica “Telegraph”, que tem os créditos da publicação da reportagem, o jovem pagou cerca de 10 libras (algo próximo de R$ 35) para fazer a troca do nome usando um serviço de um site chamado “Deed Polls”. O site adverte aos seus usuários com os dizeres “aqui você pode mudar seu nome quantas vezes quiser, quando quiser e por qualquer motivo, desde que não seja para propósitos fraudulentos”.

O jovem inglês que surpreendeu a todos em não decidir se chamar “Harry Potter”, diz que escolheu este fantástico nome de “Captain Fantastic etc” porque diz que quer ser único no mundo. Ao invés de escrever um livro bacana, de compor uma linda canção ou pintar um belo quadro, ele achou mais fácil tornar-se “único” simplesmente trocando seu nome de George pra… pra… essa coisa enorme que vocês viram mais acima.

Ao mudar de nome, o novo super-herói já arrumou seu primeiro inimigo, como não poderia deixar de ser, já que todo super-herói que se preze tem que ter um algoz. O inimigo nº 1 do jovem super-herói de Glastonbury (Somerset) é a sua própria avó, que depois que o menino trocou o nome, já não fala mais com o neto. Esse é mais um daqueles casos em que sentimos a clara vontade de torcer pro “vilão”. Nesse caso, eu confesso que estou inclinado a ficar do lado do “adversário” desse jovem rapaz: A sua sensata avó.

O novato herói inglês acredita que com isso passou a ter o nome mais longo do mundo. Ele realmente tem chances de entrar pro “Guiness” se estivermos considerando apenas pessoas ainda vivas. Pois o que o “Capitão Fantástico etc” não sabe é que por aqui tivemos uma espécie de “herói”, importante personagem da nossa história, que possuía um nome de batismo significativamente superior ao do fantástico adolescente inglês. Esse homem ficou conhecido na história como “D. Pedro I”.

Aquele que ficou conhecido por muitos de nós como o “herói da independência do Brasil”, carregava a seguinte alcunha de batismo: “Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon”. É meu caro George, ou “Capitão Fantástico etc”, ou como queira ser chamado… acho que não será dessa vez. Melhor você tentar fazer as pazes com a sua vó.