Tudo bem que o Batman nunca tenha sido o melhor exemplo da figura do “bom moço”. Se fosse assim não poderia ser considerado o “Cavaleiro das Trevas”. Eu sempre soube disso. E sempre gostei também. Os seus defeitos, medos, fraquezas e falhas o tornam mais humano do que todos os outros super-heróis que aprendi a admirar. Mas daí ver o herói virar bandido… Há muito sem ter notícias do “homem-morcego”, hoje, em mais uma viagem despropositada pelo ciberespaço, esbarro na seguinte manchete:
Vida Bandida.
31 10 2008Comentários : 2 Comentários »
Categorias : pirâmide invertida
Comida chinesa.
28 10 2008
Esse fim de semana, na viagem que eu e Martinha fizemos a Caripe – um pequeno povoado venezuelano, conhecido por abrigar a “cueva del guácharo”, a maior caverna da Venezuela e uma das maiores do mundo – estávamos caminhando pelo vilarejo e conversando sobre amenidades. Num momento da conversa e da caminhada nos demos conta de que em qualquer esquina de qualquer cidadezinha aqui na Venezuela, tem um restaurante ou uma lanchonete de origem chinesa. Eles estão por toda parte… Eis que num outro momento do papo ela perguntou qual era a comida típica da Venezuela. Eu sem titubear respondi: “Comida chinesa”. Rimos horrores e concordamos! Pois de fato é o que mais se vê por aqui. Por falar nesse assunto, o trauma bateu à nossa porta quando soubemos na semana passada que o tio de uma colega aqui do trabalho morreu envenenado com a comida de um desses restaurantes “made in China”, tão comuns por aqui. Combinamos eu e ela que não comeremos mais nesses lugares. O mais parecido com a comida “china” que eu me permitirei a comer, de vez em quando (considerando a base calórica do produto) é o “perro caliente”, mais conhecido por nós como “cachorro-quente”, que de cachorro não tem nada (a não ser na China) ou ainda chamado por nós de “hot-dog”, graças ao fenômeno da invasão dos “anglicanismos”, que há muitos anos já vêm penetrando e se incorporando cada dia mais a nossa linda, rica e auto-suficiente língua portuguesa. Pois é, esses verdadeiros quitutes de rua daqui, aí no Brasil considerado normalmente como um alimento de apreciação de “motoboys” e “officeboys” (ôpa, olha o tal do “anglicanismo” de novo), são muito bem preparados e possuem molhos de acompanhamento mais saborosos e originais que nossas velhas conhecidas mostarda, maionese e “ketchup” (ôpa, ele de novo). Tem molho de alho com tempero verde, molho de “bacon” (outra vez), de queijo, agridoce, “barbecue” (mais um “anglicanismo”) e várias outras coisas. Em suma, uma bomba calórica bem apreciada pelos “gourmets” (ufa, enfim um “francesismo”) bem-aventurados dessas bandas daqui. Aliás, caloria e gordura é com o povo daqui mesmo. De típico, além da comida chinesa (hehehe), eles se esbaldam com “empañadas”, “arepas”, “enrollados”, “pastelitos”, “cachapas”, “saladitos” e “cachitos” com todo o tipo de recheio, gordura e caloria que vocês imaginam. Isso já no café da manhã. Imagino que é por isso que tem muitas pessoas gordas por aqui. Muitas crianças obesas também, o que é pior. O frango frito por aqui é um sucesso meus queridos. Eu, graças a Deus, tenho ficado na maior parte do tempo no chá gelado, no suco, no sanduíche, no franguinho e na salada. Às vezes me permito comer uma besteirinha ou outra. Mas tenho me limitado a comer coisas mais saudáveis no dia-a-dia, tanto por razões de economia como de saúde também. Estou aprendendo a cozinhar algumas coisinhas e a me alimentar melhor. Espero criar o hábito e seguir cuidando do corpo e da saúde no retorno ao Brasil. Mantenham-se longe dos restaurantes chineses, por favor.
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Categorias : areia nos olhos
Fechado para balanço.
24 10 2008Me questionando durante esses dias se vale a pena continuar caminhando nesse deserto… Se a maioria dos passos que tenho dado por aqui são passos sem rumo, ou passos desacompanhados. Se minha prolixidez distancia, se minhas idéias interessam, se minha dedicação a isso aqui realmente existe…
Daí a gozação e o duplo sentido em dizer que o deserto está “fechado para balanço”. Acho necessário neste momento refletir se é por aqui mesmo que devo caminhar. E aproveitar esse distanciamento pra caminhar por outros desertos, montanhas, praias, aproveitar o balanço do mar… De um domingo no parque. Do samba da minha terra.
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Categorias : segredos do faraó
rompendo barreiras.
22 10 2008
Bacana a foto, não? Pois é, achei no google. A foto me serve de suporte para lhes relatar um evento que tive a oportunidade de ir no domingo que passou. Rodrigo, um amigo Venezuelano, me convidou pra ir ao “Off Road”, evento com aqueles carros enormes 4X4 competindo para ver quem cumpria com mais rapidez um trajeto com muita lama, muito buraco e muitos obstáculos. Foi bem divertido ver os carros atolando na lama e as pessoas gritando. Mas isso não foi a coisa que mais me chamou atenção. O espaço, que me fez lembrar o “parque de exposições” de Salvador, contava também com dezenas de stands exibindos carros, se vendia todo tipo de souvenirs, havia barracas de bebida e comida, dois grandes palcos, além de pistas para skatistas e patinadores, e uma super rampa de terra onde motoqueiros loucos faziam aquelas acrobacias loucas e davam saltos mortais com suas motos, arrancando suspiros do público presente. Um mega evento, pra resumir. Mas a tal coisa que me chamou mais atenção ainda não é nada disso. Afinal, vocês me conhecem e sabem que eu não tenho essa fixação por carros que tanto acomete a maioria dos humanos do gênero masculino. O mais louco de tudo neste evento foi chegar próximo ao palco para ver a primeira banda da noite e escutar uma sequência de acordes muito familiar. Antes disso, me lembro que perguntei a Rodrigo qual era o estilo da banda. Ele respondeu com uma cara de que não sabia direito, que se tratava de uma banda “pop”. Vocês sabem que hoje em dia o conceito de “pop” é usado de várias formas, pra se referir a uma banda sem estilo definido ou mesmo quando você tem dificuldade de definir uma banda. Enfim… A banda começou a tocar de cara os acordes de “Arerê”, música que ficou conhecida na voz de Ivete Sangalo, só que com uma letra diferente e uma roupagem um pouco distinta da que estamos acostumados a ouvir nos trios elétricos. Mas a versão venezuelana preservava quase todos os elementos originais, tal como o naipe de metais e outros coisas que me permitiram identificá-la facilmente. Comecei a cantarolar a versão em português pra surpresa de Rodrigo. Ele perguntou rindo se eu conhecia a música e eu respondi rindo mais ainda que se tratava de coisa da minha terra. Ele ficou surpreso, achava que aquilo era objeto concebido na Venezuela. Doce ilusão… A música tinha outro ritmo, outra letra, mas os acordes e muitos elementos do novo arranjo nos permitia reconhecer o “axé” presente naqueles acordes. E durante o show reconheci mais algumas outras canções carnavalescas e fui me surpreendendo em como a Bahia estava de alguma forma presente naquele lugar, mesmo não sendo reconhecido e mesmo que os Venezuelanos acreditem que é coisa feita por eles. Reconhecendo ou não, a Bahia me prova cada vez mais que consegue romper barreiras culturais e linguísticas e se faz presente no repertório de bandas e Dj’s de todas as partes do mundo. O exemplo mais recente para esse já velho conhecido fenômeno de exportação da “música baiana” pôde ser conferido nos jogos olímpicos deste ano na China. Nas areias chinesas, durante os jogos da competição do vôlei de praia, podíamos ouvir entre as músicas que ressoavam das caixas de som “made in china”, canções (das mais antigas a propósito) de bandas de pagode e de axé da nossa Bahia. Eu só não imaginava que bandas “pop” (ou o que sejam) venezuelanas também tocassem coisas da Bahia. Principalmente pelo fato de que em 3 meses que ando por aqui, sempre que perguntei ao pessoal se eles conhecem tal produto, filme, banda ou música do Brasil a resposta é quese sempre negativa. A não ser quando se trata das mundialmente famosas novelas da rede Globo, exibidas e exportadas para os povos mais isoladas e que como a coca-cola parece conseguir chegar a qualquer canto desse pequenino grande planeta que habitamos…
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Categorias : no lombo do camelo
Poema musical do carro roubado.
22 10 2008Eu sei que sempre fui assim
Então trate de não ter DÓ de mim
Por esse episódio da RÉ mal dada
Ou por MI considerar uma pessoa azarada
Dizer que não FArei é o que agora falo
Mesmo se num dia de SOL de novo roubá-lo
E se você estiver LÁ de novo comigo
A gente vai SI… você sabe o que digo
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Categorias : Poesia de oásis
Imagem-em-ação.
21 10 2008Depois de uma semana de descanso (no meu Blog) e de loucura (no meu trabalho), resolvi me sentar numa mal-esculpida e imaginária mesa de jacarandá, pra sentir o gosto amargo do imaginário café preparado numa velha e imaginária chaleira amassada, vendo a Vida passar. Da varanda da minha casa de campo imaginária, lendo um jornal imaginário, com notícias imaginadas, fiquei imaginando coisas pra trazer aqui para o meu deserto. No jardim florido bem à minha frente, também fruto da minha imaginação, era tudo muito bonito, embora nada me inspirasse grande coisa. As flores imaginárias balançavam tentando acompanhar a força dançante de um vento inventado por meus pensamentos. Eis que me surgiu a vontade de imaginar que este jardim que estava visualizando era muito semelhante ao jardim por onde Alice circulou antes de ser “sequestrada” pelo coelho apressado até o país das maravilhas. “Sequestro” esse que teve um desfecho mais feliz do que aquele recente, que parou o país (não o das maravilhas), que não foi resolvido da forma como eu imaginava que fosse, mas que teve a cobertura midiática irresponsável que eu já imaginava. Diferente do que vi no acompanhamento deste caso em Santo André, e do que vejo sempre que presenciamos o processo de midiatização de uma tragédia, crime ou acidente (ou qualquer coisa que tenha sangue), no meu jornal imaginário, as noticias imaginadas são elaboradas por uma imprensa responsável. Imprensa que é fruto da minha imaginação, mas que deveria povoar em definitivo a consciência dos colegas que trabalham em jornais, Tv’s e revistas… E não imaginam como as coisas que dizem e escrevem ganham demasiada importância, tamanho o massivo alcance desses veículos em que trabalham. Vi pela Record News, ao vivo, o desfecho desse sequestro que fez o Brasil praticamente parar por 04 dias. A imprensa, claro, não podia perder a oportunidade de abocanhar uns pontinhos a mais de audiência e tratou de atribuir uma roupagem novelísitica àquelas cenas reais. Apresentadores, jornalistas, repórteres diziam após a invasão da polícia ao apartamento da garota que o desfecho do sequestro tinha sido um sucesso e que a operação da polícia transcorreu de modo impecável, sendo que minutos depois, começaram a dizer totalmente o contrário. Acompanhei a divulgação de que houve tiro na mão, ferimento na barriga, mas que tava tudo bem, que foi tudo um sucesso, antes de ouvir a confirmação real (e verdadeira) de que as vítimas foram alvejadas, uma na boca, e a outra na virilha e na cabeça, para citar apenas alguns dos “ruídos” (ou informações mal apuradas) que foram divulgadas. Na busca incessante pelo famoso “furo jornalístico”, pela divulgação em primeira mão, valia dizer qualquer coisa pra manter a audiência e para mostrar a “eficiência” e a “rapidez” com que o veículo oferece a informação, não importando a veracidade e procedência do que se diz. A diferença está entre o que se diz e o que se imagina. Imaginar sim, somos livres para imaginar qualquer coisa. Assim como somos livres para dizer (ou escrever) qualquer coisa. Mas não num veículo jornalístico de grande circulação, que tem por obrigação divulgar um conteúdo pautado sempre em princípios que prezem pela responsabilidade social e pelo compromisso com a verdade. Saindo do jardim, escapando da minha imaginação, quando abri os olhos e encarei a realidade do meu laptop, lamentei ver outros critérios em ação. Me choquei com uma realidade motivada pela comercialização do sofrimento alheio e pelo prazer de oferecer sangue escorrendo pelas telas de computadores, de Tv’s e de páginas de jornais. E já de volta da viagem imaginária, na minha sala de trabalho, só o que consegui sentir foi a repulsa ao jornalismo que hoje vejo sendo praticado em esses verdadeiros açougues da Comunicação. Sinceramente… Não estudei jornalismo para compactuar com isso que tenho visto. Do jeito que a coisa vai, o tão perseguido “furo” jornalístico hoje tá mais pra uma “furada” jornalística do que pra qualquer outra coisa.
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Categorias : pirâmide invertida
OS SUSPEITOS.
14 10 2008Lá no alto vivem os gregos. Quando falo “gregos” não me refiro aos deuses. Quando falo “alto” tampouco me refiro ao Olimpo, famosa morada mitológica de Zeus, Apolo e outros imortais. Quando falo “imortais” não me refiro a Academia Brasileira de Letras. Ok… Esqueçam esta última frase. Os gregos a quem me refiro formam a estranha parte minoritária da minha vizinhança. São chamados desta forma pela parte restante da mesma. Ou seja, por todos. Acredito que o uso da expressão “os gregos” se deve justamente ao tom de mistério a que essa família atribui ao seu comportamento e a relação que (não) estabeleceram com os outros condôminos. Vivo neste edifício há mais ou menos 03 anos (acho que é isso) e jamais os vi. Ou melhor, se os vi jamais os identifiquei. O fato é que um episódio recente me fez voltar os olhos a esta antes desconhecida horda de vizinhos. Quando falo “horda” me refiro a todos os vizinhos. Quando falo “episódio recente” me refiro a um acontecimento bombástico. Pois é… Literalmente bombástico. Vamos aos fatos… Há pouco mais de um mês um apartamento do quinto andar do meu prédio foi vítima de um atentado terrorista. Isso mesmo. No meu prédio. Uma bomba. Bum! (sabia que o dia de usar uma onomatopéia neste blog chegaria). Ninguém morreu. O prédio não caiu. Bin Laden continua à solta. E os gregos estão ficando cada vez mais misteriosos. Jornais, redes de TV e até a polícia apareceu por lá. Quando falo “até” é porque esses caras raramente aparecem quando precisamos deles. Resultou que o crime foi noticiado, mas não foi desvendado. O laudo foi prometido, mas não foi entregue. A polícia soteropolitana foi ao local do crime, mas não fez nenhum avanço com as investigações. A proprietária do apartamento que sofreu o atentado tomou um baita susto, mas disse que se mudaria de qualquer forma. A família de gregos continua circulando misteriosamente pelo prédio, mas ao que tudo indica deixaram de ser “os gregos” e se tornaram “os suspeitos”. Atualmente em solo venezuelano, escrevendo de um computador chinês, eu, descendente de portugueses e espanhóis, presumo que o local tenha sido avaliado por um policial brasileiro, de origem multiétnica mesclando povos africanos, indígenas e europeus. Este mesmo policial tinha um nome de raiz anglosaxã, estaria usando um sapato de couro argentino, óculos escuros coreanos e uma cópia paraguaia de um modelo de relógio suiço. O policial teria apontado como principais suspeitos uma família de gregos. Viva a Globalização.
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Categorias : miragens desérticas



