A briga entre Obama e McCain para ver quem descascará o abacaxi americano está ficando cada vez mais quente. Enquanto isso, o medo passeia livremente pelas bandas da terra média do Ronald Mc’Donald com a chegada de furacões e dessa super crise no setor finaceiro que tem deixado muitos americanos carecas de cabelo em pé. A despeito desse papo yankee sobre luta contra o terrorismo e blá blá blá… Além dos furacões e dessa crise econômica que os atingiu recentemente… Acho que a possibilidade cada vez maior da consolidação de um processo de integração que Lula e companhia sulamericana tanto desejam (e eu também) é o que no fundo mais os assusta, embora eles não admitam. Enquanto isso, eles noticiam que hollywood vai de vento em popa, que Obama e McCain se alfinetam de lá e de cá e assim o povo americano continua a tomar o seu leve café da manhã do Mc Donald’s nas tranquilas manhãs. Do Texas a Wiscousin. Entre um big mac e outro, nos raros momentos em que resolvem pensar, eles se pelam de medo ao vislumbrar a possibilidade de que de uma vez por todas percebamos que eles necessitam da gente muito mais do que necessitamos deles. Que quando percebermos que o nosso petróleo vale mais pra eles do que um Mc Donald’s novo na nossa cidade, as coisas começarão a mudar. Vários dos nossos postos de gasolina tem lojas da Mc Donald’s anexadas, não é mesmo? Pois é… E eles “amam muito tudo isso”… Assim como amam o nosso petróleo. Mas percebo que já começamos a nos dar conta de que os minérios, os grãos e todo tipo de matéria-prima que produzimos são tão essenciais para sobrevivência deles quanto o tênis nike e o carro importado são meros objetos de desejo para o playboy e a patricinha do seu prédio. Mas é bom sentir que já conseguimos nos olhar num espelho sem aquele ranso velado de acharmos que somos algo próximo a uma neocolônia e que estamos chegando perto da cura pra toda essa lavagem cerebral com água sanitária que fomos por anos submetidos. Com todas as restrições que tenho ao radicalismo do presidente Hugo Chávez, me arrepia ouví-lo falar sobre Revolução, sobre a necessidade dos povos da américa-latina (a quem ele se refere como “irmãos”) se unirem e se integrarem em prol de um crescimento conjunto, para alcançarmos um dia a tão sonhada independência econômica e sobretudo ideológica. Não tenho como discordar disso. Não sei o que vocês pensam, já que me assusta ver chegar para o mundo a imagem do Chávez ditador, tirano, louco, que quer destruir os EUA etc. O Chávez não é tão tirano assim, até já o vi de tênis nike quebrando o protocolo em certa ocasião… Acho um absurdo o alarde que a imprensa tem feito sobre os investimentos que a Venezuela vem realizando no setor bélico. Não vejo ninguém se escandalizar com orçamento anual norte-americano neste setor, que vem atingindo cifras cada vez mais absurdas. Deixa eu ver se eu entendo: Eles podem… e nós não, é isso? Assim parece funcionar aos olhos de uma imprensa que se omite a questões importantíssimas enquanto que por outro lado superestima questões de menor grandeza. Enfim, acho que já passamos da hora de encurtarmos este abismo ideológico no qual fomos jogados nas últimas décadas. A distância é enorme. Enquanto eles são considerados o “primeiro mundo” nós recebemos a alcunha de “terceiro mundo”, para reafirmar que há todo um “segundo mundo” de distânica até eles. Na verdade, já li uma vez que o termo “segundo mundo” costumava indicar os países do mundo socialista; mas o termo caiu em desuso e hoje só serve pra aumentar a barreira ideológica que os grandes de pensamento médio nos impõem. 